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Por que proteger o concreto?

Jun 03, 2016

Qual a durabilidade do concreto protegido com um sistema de impermeabilização? As normas técnicas são muito claras ao sugerir uma durabilidade mínima de 50 anos para obras de edificações, e 75 a 100 anos no caso de obras de infraestrutura. No entanto, são menos explícitas ao esclarecer como prever a contribuição adicional do efeito protetor que o emprego da impermeabilização pode proporcionar frente aos possíveis efeitos degenerativos da agressividade do ambiente.

 

É importante que os fabricantes caracterizem o desempenho dos produtos de impermeabilização fornecido, o que pressupõe fornecer além dos cuidados na operação e na manutenção, também a durabilidade em anos prevista para cada um dos produtos de impermeabilização. Embora tenham sido propostas na literatura diversas abordagens para a durabilidade associando o cobrimento de concreto dos elementos estruturais com os sistemas de impermeabilização, ainda não existem, portanto, métodos padronizados ou sobre os quais haja consenso.

 

Atualmente, o requisito técnico de proteção química tem potencializado a demanda no mercado brasileiro por sistemas de impermeabilização desenvolvidos para o uso em ambientes agressivos. Nos últimos cinco anos, a maior inovação foi tornar também os revestimentos orgânicos abertos à difusão de vapor por meio da nanotecnologia. Sendo que os primeiros produtos a sofrerem essa transformação foram os revestimentos epoxídicos de base aquosa. A inovação continuou com os materiais poliuretânicos com inserção de moléculas de materiais hidro-repelentes em sua cadeia polimérica, e mais recentemente, nos revestimentos à base de poliuréia híbrida abertos à difusão de vapor.

 

Os sistemas de impermeabilização à base de geopolímeros representam uma nova classe de materiais inorgânicos de alta performance, resistente a todos os tipos de ácidos orgânicos e inorgânicos (exceto ao ácido fluorídrico) com pH próximos ao ZERO até o pH 8 e resistente a temperaturas de até 570 °C. Este tipo de revestimento é aberto à difusão de vapor de água, e pode ser usado para aplicações onde são encontrados ao mesmo tempo altos carregamentos mecânicos e agentes agressivos.

 

A mais recente tecnologia de sistemas de impermeabilização foi desenvolvida através da utilização de dispersões híbridas orgânicas/inorgânicas baseadas em nanocompósitos, é possível conjugar as vantagens dos materiais orgânicos, como a poliuréia com a elasticidade e a resistência à água, e os geopolímeros inorgânicos, como a dureza e a permeabilidade ao vapor de água. O termo material híbrido é utilizado, em sentido estrito, que implica uma ligação covalente entre os componentes orgânicos e inorgânicos no interior do material. A tecnologia do silicato híbrido é uma combinação (trimerisação) do silicato, da resina polimérica e do aditivo mineral que resulta em um sistema de impermeabilização flexível com a resistência química de substâncias com pH próximos ao ZERO até o pH 14.

 

Um grande esforço conjunto da sociedade técnica (entidades de pesquisa, universidades, fabricantes de materiais, construtoras, incorporadoras, entidades representativas dos consumidores e representantes do poder público) está sendo realizado para que os sistemas de impermeabilização alcancem um nível de desempenho compatível com os aspectos técnicos de durabilidade dos elementos de concreto protegidos pelos sistemas de impermeabilização.

 

Avanço significativo do ponto de vista técnico é aquele representado pela proposição da durabilidade calculada em conjunto com os elementos de concreto protegidos pelos sistemas de impermeabilização. Dessa forma, espera-se, de um lado, que os fabricantes a partir de agora, mais do que nunca, deverão fornecer informações mais precisas sobre as características dos materiais e componentes, recomendando que os projetistas e construtores passem a exigir dos fabricantes informações técnicas mais consistentes dos produtos, do que informações como “excelente aderência”, “grande durabilidade”, “resistência aos raios ultravioleta”, etc. que deverão ser substituídas por Declarações de Performance, que podem estar baseados em normas, como a norma EN 1504 “Produtos e sistemas para a proteção e reparo de estruturas de concreto” na busca de catálogos técnicos verdadeiramente balizados.

 

Para que a durabilidade possa ser atingida, o projetista deve recorrer às boas práticas de projeto, às disposições de normas técnicas prescritivas, ao desempenho demonstrado pelos fabricantes dos produtos contemplados no projeto e a outros recursos do estado da arte mais atual, refletindo todo um esforço da comunidade técnica brasileira de atingir um elevado patamar de qualidade no projeto e construção das estruturas de concreto protegidos pelos sistemas de impermeabilização.

 

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